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PIZANI

Estudos · Vídeo curto ·

Taxonomia e ontologia no Direito (3/3): ontologia, e quem faz esse trabalho

Raphael Pizani

2:42 · legenda em português na imagem

Taxonomia e ontologia no Direito, parte 3 de 3: ontologia, e quem faz esse trabalho.

Você procura “petição inicial”, e o sistema passa direto pela “exordial” que está lá. Isso tem nome e tem conserto: taxonomia. Em três partes, a história de como a gente organiza informação, do anel de sinônimos às facetas de Ranganathan e à ontologia, e o que isso muda no escritório, na procuradoria e no Judiciário.

Para ir mais fundo: The Accidental Taxonomist, de Heather Hedden, e An Introduction to Ontology Engineering, de C. Maria Keet.

Narração e trilha geradas com IA.

narração e trilha geradas com IA

Transcrição

Até aqui, a gente arrumou as palavras e o lugar de cada documento.

Só que vocabulário arrumado ainda não conta a história toda. Um processo tem cliente, tem advogado responsável, corre em determinado juízo, tem prazo vencendo na sexta. Essas ligações são o que interessa no dia a dia, e é delas que a ontologia cuida. Na árvore, a ligação só diz mais geral ou mais específico. Na ontologia, cada ligação tem nome e sentido: o cliente é parte no processo, o advogado patrocina a causa, o processo corre no juízo. Com isso, o sistema tira conclusões que ninguém escreveu: se o prazo é do processo e o processo é daquele advogado, ele sabe quem responde pelo prazo. É um mapa do escritório como ele de fato funciona.

E quem faz isso? Quase nunca alguém que planejou. Não existe faculdade de taxonomia. Numa pesquisa de dois mil e quinze, perto de metade dos que trabalham com isso tinha mestrado em biblioteconomia; os demais chegaram por caminhos variados, muitas vezes porque alguém precisava arrumar a casa. No jurídico, conhecer a matéria pesa: é preciso entender de lei e do fluxo de trabalho para transformar em regra clara o que antes ficava na cabeça de cada um. Desse trabalho sai o dado limpo que alimenta os sistemas e as ferramentas de inteligência artificial.

Em escritório e departamento jurídico, isso aparece na gestão do acervo: o que já foi produzido volta a ser encontrado. Em procuradoria e defensoria, onde o volume é enorme, a triagem de teses anda mais rápido. No Judiciário, o ganho está na organização dos precedentes. No fim das contas, a busca responde na hora e responde certo. A automação trabalha em cima do que existe de verdade no acervo, sem inventar dado. E o escritório passa a saber o que tem e onde está. Para ir mais fundo, dois livros. O primeiro é The Accidental Taxonomist, da Heather Hedden, taxonomista e professora de taxonomia, e o acidental do título é justamente essa história de ninguém planejar a profissão. O segundo é An Introduction to Ontology Engineering, da C. Maria Keet, um livro-texto mais técnico, para quem quer entender a construção por dentro.