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Taxonomia e ontologia no Direito (2/3): o documento que não cabe num lugar só
Taxonomia e ontologia no Direito, parte 2 de 3: o documento que não cabe num lugar só, e a virada de Ranganathan.
Você procura “petição inicial”, e o sistema passa direto pela “exordial” que está lá. Isso tem nome e tem conserto: taxonomia. Em três partes, a história de como a gente organiza informação, do anel de sinônimos às facetas de Ranganathan e à ontologia, e o que isso muda no escritório, na procuradoria e no Judiciário.
A parte 3 sai amanhã.
Narração e trilha geradas com IA.
narração e trilha geradas com IA
Transcrição
Classificar, até aqui, era pôr cada documento num galho de uma árvore.
O problema começa quando um documento pertence a dois galhos ao mesmo tempo. Pense num acórdão sobre prescrição intercorrente numa execução fiscal de ICMS. É tributário ou é processo? Na estante, ele precisa de um lugar só. Ponha num galho, e quem procurar pelo outro passa por ele sem ver.
No fim dos anos vinte, o matemático e bibliotecário indiano S. R. Ranganathan achou que o número único não dava conta, porque muitos livros têm várias faces. Propôs descrever cada obra por vários lados, e cada lado virou uma faceta. O sistema dele não pegou: era complicado demais para o usuário comum. Foi o computador que tornou a ideia fácil: cada documento vira um registro, cada faceta vira um campo, e o acervo se reorganiza na hora. Os filtros da pesquisa de jurisprudência são facetas: tribunal, classe, relator, período.
No fim dos anos noventa, taxonomia deixou de ser palavra de biólogo e passou a nomear a organização da informação. Jean Graef, que dava cursos sobre o tema, contou que ela ganhou destaque quando a área de tecnologia percebeu que a busca, sozinha, não resolvia o problema. Em julho de dois mil e quatro, num grupo de discussão sobre arquitetura da informação, Thomas Vander Wal deu nome às etiquetas livres criadas pelos próprios usuários: folksonomia. De um lado, o vocabulário controlado, mantido por especialista. Do outro, a nuvem de etiquetas, cada um escrevendo do seu jeito: exordial aqui, inicial ali.
Amanhã, na terceira e última parte: ontologia, e quem faz esse trabalho.