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Sem ponte nenhuma: depois não quer dizer por causa
Depois quer dizer por causa?
Numa casa vizinha a uma obra com bate-estaca, apareceu uma fissura na parede, e a petição resumiu tudo numa frase: houve cravação, as fissuras vieram depois, logo a obra causou. Tudo se apoia numa palavra pequena, logo: duas coisas que andaram juntas no tempo viraram, sem ponte nenhuma, uma produzindo a outra.
Andar junto é correlação, produzir é causa, e o salto de uma à outra tem nome latino, post hoc, depois disto. No livro Argumentation Schemes (2008), Walton, Reed e Macagno o definem como a falácia de saltar depressa demais de uma correlação para uma conclusão causal (p. 84).
A correlação não é inútil: é por ela que o sinal começa, e as perguntas críticas do sinal ensinam a testá-la: quão forte ela é, e se outro acontecimento explicaria melhor o que se vê (p. 329). A fissura pode ter vindo das estacas, mas também de um solo que já cedia, de uma casa antiga, de uma infiltração de anos, e a melhor explicação só merece esse nome depois que as outras foram postas na mesa.
Aqui, atravessar do depois ao por causa pede uma ponte de três premissas: que a vibração tem força para rachar aquela parede, que a casa estava inteira antes da obra, que a rachadura tem o desenho que essa vibração costuma deixar. Essas três costumam ficar implícitas, e é nelas que o adversário pergunta, devolvendo o ônus a quem afirmou. Antes de escrever logo, faça a pergunta que o outro lado vai fazer.
O estudo completo, com as fontes:
https://pizaniadv.com.br/estudos/esquemas-de-argumentacao
Fonte: Walton, Reed e Macagno, Argumentation Schemes, Cambridge University Press, 2008 · https://doi.org/10.1017/CBO9780511802034
Caso ilustrativo fictício. Conteúdo informativo; não substitui a análise do caso concreto. Narração e trilha geradas com IA.
PIZANI Advocacia · OAB/BA nº 11.207
Narração, trilha e silhuetas geradas com IA.
Transcrição
Depois quer dizer por causa?
Numa casa vizinha a uma obra com bate-estaca, apareceu uma fissura na parede, e a petição resumiu tudo numa frase: houve cravação, as fissuras vieram depois, logo a obra causou. Tudo se apoia numa palavra pequena, logo: duas coisas que andaram juntas no tempo viraram, sem ponte nenhuma, uma produzindo a outra.
Andar junto é correlação, produzir é causa, e o salto de uma à outra tem nome latino, post hoc, depois disto: no livro Argumentation Schemes, de dois mil e oito, Walton, Reed e Macagno o definem como a falácia de saltar depressa demais de uma correlação para uma conclusão causal.
A correlação não é inútil, é por ela que o sinal começa, e as perguntas críticas do sinal ensinam a testá-la: quão forte ela é, e se outro acontecimento explicaria melhor o que se vê. A fissura pode ter vindo das estacas, mas também de um solo que já cedia, de uma casa antiga, de uma infiltração de anos, e a melhor explicação só merece esse nome depois que as outras foram postas na mesa.
Aqui, atravessar do depois ao por causa pede uma ponte de três premissas: que a vibração tem força para rachar aquela parede, que a casa estava inteira antes da obra, que a rachadura tem o desenho que essa vibração costuma deixar.
Essas três costumam ficar implícitas, e é nelas que o adversário pergunta, devolvendo o ônus a quem afirmou. Antes de escrever logo, faça a pergunta que o outro lado vai fazer: depois quer dizer por causa?