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Estudos · Vídeo curto ·

O perito disse, está dito? Só o que ele disse

Raphael Pizani

1:42 · legenda em português na imagem

O perito disse, está dito?

Numa casa vizinha a uma obra com bate-estaca, apareceram fissuras, e o perito do juízo, engenheiro civil, examinou a parede. Quando o laudo chega, parece ponto final.

Os manuais de lógica chamaram por muito tempo o apelo ao perito de falácia. O livro Argumentation Schemes observa que a prova pericial virou um tipo dominante de prova nos tribunais e propõe julgar caso a caso. A forma do argumento: a fonte é especialista num domínio que contém a afirmação, ela afirma que aquilo é verdade, então aquilo pode, plausivelmente, ser tido por verdadeiro. Esse “pode, plausivelmente” é a marca do argumento derrotável, aceito por enquanto.

O caso a caso tem seis perguntas: quão crível é o especialista, se o campo é o dele, o que exatamente ele disse, se é pessoalmente confiável, se combina com outros especialistas e se a afirmação se apoia em prova. No exemplo de manual, um médico de família opina sobre fusão nuclear: especialista, só que não naquilo.

No nosso caso, a terceira pede leitura atenta: o laudo diz que as fissuras são compatíveis com a vibração das estacas e que não é possível afirmar nem excluir que sejam anteriores à obra. Compatível não quer dizer causado; se a manifestação escreve que está provado o nexo causal, é ali que o adversário vai perguntar. Se o perito disse, está dito, mas só o que ele disse.

A aula completa:
https://pizaniadv.com.br/estudos/esquemas-de-argumentacao

Fonte: Argumentation Schemes, Cambridge University Press, 2008, pp. 2, 14, 26 e 310. Consulta em doi.org/10.1017/CBO9780511802034.
Caso ilustrativo fictício. Conteúdo informativo; não substitui a análise do caso concreto. Narração e trilha geradas com IA.
PIZANI Advocacia · OAB/BA nº 11.207

Transcrição

O perito disse, está dito?

Numa casa vizinha a uma obra com bate-estaca, apareceram fissuras, e o perito do juízo, engenheiro civil, examinou a parede. Quando o laudo chega, parece ponto final. Os manuais de lógica chamaram por muito tempo o apelo ao perito de falácia; o livro Argumentation Schemes observa que a prova pericial virou um tipo dominante de prova nos tribunais e propõe julgar caso a caso.

A forma: a fonte é especialista num domínio que contém a afirmação, ela afirma que aquilo é verdade, então aquilo pode, plausivelmente, ser tido por verdadeiro. Esse “pode, plausivelmente” é a marca do argumento derrotável, aceito por enquanto.

O caso a caso tem seis perguntas: quão crível é o especialista, se o campo é o dele, o que exatamente ele disse, se é pessoalmente confiável, se combina com outros especialistas e se a afirmação se apoia em prova. No exemplo de manual, um médico de família opina sobre fusão nuclear: especialista, só que não naquilo.

No nosso caso, a terceira pede leitura atenta: o laudo diz que as fissuras são compatíveis com a vibração das estacas e que não é possível afirmar nem excluir que sejam anteriores à obra. Compatível não quer dizer causado, e mesmo assim a manifestação da autora escreveu que estava provado o nexo causal, onde o adversário vai perguntar.

Se o perito disse, está dito, mas só o que ele disse: o ponto final é da frase dele, o resto continua pergunta. O perito disse, está dito? A aula completa está no site da PIZANI Advocacia.